Uma tatuagem de pomba é mais frequentemente associada à paz, mas essa é apenas uma das interpretações possíveis desta ave. Conforme a tradição ou a intenção pessoal que lhe é atribuída, a mesma silhueta também pode evocar fé, esperança, amor ou a memória de alguém que partiu. Compreender estes diferentes significados e a forma como a pose da ave — pousada, com um ramo de oliveira no bico ou em pleno voo — faz pender o sentido para um lado ou para outro ajuda a escolher um desenho que corresponda verdadeiramente ao que quer expressar, em vez de um símbolo genérico escolhido sem pensar.
- Paz: a interpretação mais comum atualmente, herdada em grande parte do uso político moderno do termo e de um cartaz que se tornou célebre.
- Fé: na tradição cristã, a pomba representa o Espírito Santo e aparece no relato da arca de Noé.
- Amor: um significado mais antigo, herdado de divindades associadas à ave em várias religiões antigas.
- Memória: uma escolha frequente para homenagear a memória de alguém próximo, pelas razões explicadas mais abaixo.
- A pose muda a mensagem: uma pomba pousada, uma pomba com um ramo e uma pomba em voo não transmitem exatamente a mesma mensagem.
O que significa uma tatuagem de pomba?
Não existe um significado único e oficial para a tatuagem de pomba, porque várias culturas e religiões adotaram esta ave em épocas diferentes, com interpretações que por vezes se sobrepõem e noutras divergem. Paz, fé, amor e memória são os quatro temas principais, e não se excluem: uma pomba escolhida para homenagear alguém que partiu pode também transmitir, em pano de fundo, a ideia de paz reencontrada. Se procura antes uma visão geral dos significados dos animais, o nosso artigo sobre tatuagens de animais e o seu simbolismo aborda o tema de forma mais abrangente; este artigo centra-se especificamente na pomba, porque é uma ave cuja carga simbólica merece ser analisada ao pormenor.
De onde vem a pomba como símbolo da paz?
A interpretação mais comum atualmente vem sobretudo do uso político moderno do termo: chama-se «pomba» a uma pessoa que privilegia a negociação em vez do confronto, por oposição ao «falcão». A imagem da pomba também acompanha manifestações pela paz e aparece regularmente nos Jogos Olímpicos (fonte: Doves as Symbols, Wikipedia). Este símbolo visual deve muito a uma obra específica: em fevereiro de 1949, Pablo Picasso criou a litografia «La Colombe» para o Congresso Mundial dos Partidários da Paz, em Paris. Desde então, a imagem foi adotada por muitas organizações, incluindo as Nações Unidas, e continua a ser uma das representações mais reconhecíveis da paz (fonte: Colombe de la paix, Wikipédia). É esta interpretação que transmite Triunfo, um desenho ilustrativo que associa a pomba ao perfil de um rosto para transmitir uma mensagem assumida de paz.
A pomba na tradição religiosa: Espírito Santo e arca de Noé
Na tradição cristã, a pomba representa o Espírito Santo, uma associação que remonta ao relato do batismo de Jesus, em que se descreve o Espírito a descer «em forma corpórea, como uma pomba» (Lucas 3:22) (fonte: Doves as Symbols, Wikipedia). O relato do dilúvio, no Génesis, acrescenta uma segunda imagem marcante: Noé solta uma pomba, que regressa com uma folha de oliveira no bico, um sinal interpretado como anúncio de que as águas estão a baixar (Génesis 8:11). Estes dois relatos pertencem a uma tradição religiosa específica, e é mais honesto apresentá-los como tal — aquilo que essa tradição conta — do que como um facto universal que se imponha a todas as pessoas que usam esta tatuagem. É esta combinação de fé e paz que Paz reúne, num desenho de traço fino que associa uma cruz a uma pomba.
Pomba, amor e compromisso
Desde a Antiguidade, a pomba também é uma imagem de amor e fidelidade. Várias religiões antigas associavam-na a divindades ligadas ao amor: Inanna-Ishtar, na Mesopotâmia, e, mais tarde, Afrodite, na mitologia grega, tinham ambas a pomba como ave sagrada (fonte: Doves as Symbols, Wikipedia). Esta antiga origem ajuda a explicar por que razão a pomba continua, ainda hoje, a ser escolhida para assinalar um casal, um compromisso ou uma relação duradoura, a par das suas interpretações mais conhecidas, ligadas à paz e à fé.
Tatuagem de pomba e luto: um símbolo de memória
A pomba aparece frequentemente entre as tatuagens escolhidas para homenagear a memória de alguém próximo que partiu, precisamente por causa da combinação de significados que já encerra: não representa apenas a perda, acrescenta-lhe também uma ideia de paz e esperança que suaviza o desenho sem lhe retirar a gravidade. Muitas pessoas complementam o desenho com um pormenor que personaliza a homenagem sem lhe impor um significado que não existe na tradição: uma data, um nome ou um segundo elemento, como uma rosa. Esperança ilustra bem esta abordagem: uma pomba em voo associada a rosas e a uma âncora, pensada para transmitir esperança, e não apenas tristeza.
Pomba sozinha, com um ramo de oliveira ou em voo: qual é a diferença de significado?
Para além da tradição que evoca, a própria pose da pomba altera a interpretação da tatuagem, e esse é um pormenor a considerar antes de escolher um desenho específico. Uma pomba sozinha, pousada e em repouso, transmite uma imagem de calma e pureza, um estado estável, em vez de movimento. Uma pomba com um ramo de oliveira no bico evoca diretamente a imagem da arca de Noé: o fim da provação e a chegada da esperança. Uma pomba em pleno voo, de asas abertas, tem ainda outra interpretação: evoca liberdade e movimento em frente, uma ideia mais próxima da transição do que da paz em sentido estrito.
Pomba ou pombo: existe uma diferença real?
A pergunta surge muitas vezes, e a resposta é mais simples do que parece: «pomba» e «pombo» designam aves da mesma família, os Columbídeos. Na linguagem corrente, a palavra «pomba» é geralmente reservada às espécies de menor porte e «pombo» às de maior porte, mas esta distinção pertence à linguagem corrente, não corresponde a uma separação científica (fonte: Columbidae, Wikipedia). Numa tatuagem, é, portanto, a escolha da palavra e da silhueta representada que transmite o símbolo, e não uma distinção biológica rigorosa entre as duas aves.
Estilos e locais para uma tatuagem de pomba
O estilo escolhido influencia a interpretação do desenho tanto quanto a pose da ave. Uma pomba ilustrativa ou realista destaca-se nitidamente, o que é adequado a um desenho de paz ou de memória pensado para ser facilmente reconhecido, mesmo à distância. Uma pomba de traço fino, pelo contrário, é mais discreta e adequa-se a um desenho mais pessoal, pensado sobretudo para si. O local também influencia a forma como o desenho respira: o pulso ou o tornozelo são boas opções para uma pomba compacta, pousada em repouso, enquanto o ombro, o antebraço ou as costelas oferecem espaço suficiente para uma pomba em voo, ou associada a um ramo de oliveira ou a uma cruz, sem que o desenho pareça apertado. Se ainda está em dúvida sobre o local mais adequado ao seu estilo de vida e à visibilidade com que se sente confortável, o nosso guia para escolher o desenho e o local da primeira tatuagem explica os critérios a ter em conta.
Se o simbolismo animal lhe interessa para além da pomba, outras aves e animais têm histórias igualmente ricas: o simbolismo da tatuagem de colibri e o simbolismo da tatuagem de tartaruga exploram, cada um, um símbolo diferente, com a mesma abordagem detalhada.
Experimente uma pomba antes de a tornar permanente
Antes de decidir se uma pomba merece um lugar permanente na sua pele, um modelo temporário ou semipermanente permite avaliar concretamente a envergadura das asas, o tamanho do desenho e o local no seu próprio corpo, em condições reais, em vez de apenas imaginá-lo numa fotografia. É precisamente isso que esta experiência permite verificar, e nada mais: não dá qualquer indicação sobre a dor, a cicatrização, um eventual risco de alergia ou o aspeto exato que o mesmo desenho teria depois de tatuado permanentemente. Para perceber por que razão este teste continua a ser útil apesar desta limitação, o nosso artigo sobre a utilidade de experimentar uma tatuagem antes de a tornar permanente explica o processo.


